19/08/2008 - 17:23

Rota do Vinho - Vale do São Francisco é destaque na mídia

O evento de culminância da Rota do Vinho – Vale do São Francisco, realizado entre os dias 01 e 03 de Agosto, já mostra os primeiros resultados. Grandes veículos de informações divulgaram e publicaram notícias sobre a região do Vale do São Francisco, ressaltando toda a beleza e a imponência econômica da região.

Dentro do esperado desde a elaboração do programa, o Pernambuco Conhece Pernambuco conseguiu trazer a atenção da mídia de massa para Petrolina e as cidades vizinhas. Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Folha de Pernambuco, os três maiores jornais do Estado, retrataram as mais diversas características locais do Vale em matérias especiais que vêm sendo publicadas desde o início do mês.

Segue reprodução de algumas dessas matérias:

Publicada no Diário de Pernambuco em 19 de Agosto de 2008

Vale a pena degustar
Rota do Vinho convida ao Vale do São Francisco

Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande. Três municípios do Sertão pernambucano que têm em comum a potencialidade turística e a produção agrícola de uvas. As cidades fazem parte da Rota do Vinho de Pernambuco - Vale do São Francisco, dentro do projeto Pernambuco conhece Pernambuco, divulgado pela Secretaria Estadual de Turismo. O roteiro revela a beleza do contraste entre o clima árido da caatinga e o verde das plantações. A região já é considerada o segundo centro vinícola e possui bons vinhos do Brasil. A primeira parada da viagem é em Lagoa Grande, distante aproximadamente 600km do Recife.

Neste município, a produção de frutas foi viabilizada pelo Velho Chico. As praias fluviais, ilhas, açudes e corredeiras dão ao visitante uma ótima opção de lazer, com banhos nas águas naturais, passeios de barco e pesca. Além disso, a cidade realiza anualmente a Feira do Vinho e da Uva do Vale do São Francisco. Como roteiro do vinho, pode-se conhecer as vinícolas Garziera e Bianchetti, todas abertas à visitação do público. Lá é possível acompanhar todo o processo de produção do vinho, desde o plantio das uvas até o produto final.

Seguindo viagem chegamos a Santa Maria da Boa Vista, a 611km do Recife. O ambiente na cidade também é marcado pelo Rio São Francisco. As ilhas do município integram uma bela paisagem e oferecem ao turista um passeio encantador. Lá, o transporte utilizado são os barcos de passeio e as balsas. Os mirantes naturais do Vale e do Cruzeiro também se destacam. De cima do Mirante do Carmelo, o turista pode contemplar a Corredeira da Panela dos Dourados, o leito do Rio São Francisco e ainda um maravilhoso pôr-do-sol. Mais abaixo, um santuário de Nossa Senhora do Carmo abençoa os visitantes. O mercado público da cidade, construído em 1918, abriga hoje o Centro de Cultura da Cidade. O local conta agora com pinturas e painéis em concreto. Quem for até Santa Maria em busca de vinho, pode acompanhar toda a produção na Fazenda Milano.

Por fim, chegamos à Petrolina. O acesso à cidade pode ser feito de carro (cerca de 800km) ou de avião. O aeroporto Senador Nilo Coelho recebe muitos empresários e turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. A cidade oferece diversos atrativos turísticos.

Um passeio de barco pelas águas do Chico, que também corta a cidade, é uma ótima opção para curtir horas de lazer. Descendo até a ilha do Rodeadouro, o visitante encontra uma praia de areias finas e douradas e pode mergulhar nas águas limpas do rio. Além disso, o bodódromo, complexo gastronômico ao ar livre, reúne diversos restaurantes, onde são servidos pratos típicos da região como bode e carneiro. As famosas Carrancas, usadas nas antigas embarcações para trazer sorte, podem ser conferidas no Centro de Artes Ana das Carrancas. Uma das maiores cidades pernambucanas, Petrolina oferece um forte turismo de negócio. A área da Petrolina Antiga, que reúne edificações do século 20, e a orla da cidade também merecem uma visita.

Publicada na Folha de Pernambuco em 16 de Agosto de 2008

A vocação gastronômica de Petrolina
Foram listados aqui alguns locais dos alguns por onde a reportagem de Sabores passou e indica aos leitores

Estando em Petrolina, a passeio ou a trabalho, nota-se que a infra-estrutura para receber visitantes ainda precisa de maior atenção, prinicipalmente no setor de hospedagem e na estruturação dos chamados pontos turísticos locais. Mas se há um aspecto do qual não se pode reclamar é a gastronomia que, evidentemente, explora a vocação fluvial natural da região, assim como o seu caráter sertanejo. A seguir, listamos alguns dos locais por onde a reportagem de Sabores passou e indica aos leitores.

Peixada do Gildenor

Bem ali na beirinha do Velho Chico uma espécie de complexo de bares fornece o que um visitante pode querer daquele longínquo pedaço de terra e água doce: peixe fresco. A fartura é grande, pode-se escolher o tamanho, o tipo - os mais comuns são piau, cari, surubim, dourado - elaborados de diversas maneiras. Compondo moquecas, bobó, grelhado ou frito. O caldo de cari é dica para abrir o apetite. Siga com o mesmo pescado braseado e recheado com farofa amarela, guarnecido com seu pirão, arroz branco, vinagrete e um ótimo feijão verde na manteiga de garrafa.

Maria Bonita

E não é que o bacalhau também encontrou seu lugar entre seus parentes fluviais? O Maria é um recanto luso no meio do semi-árido, com cardápio dedicado quase que por completo ao peixe. A opção da casa se justifica por ser de propriedade de um dos diretores da vinícola Rio Sol, do grupo português Dão Sul. O lugar é tranqüilo e os pratos têm um ótimo custo-benefício. Servem duas pessoas e os temperos são fiéis ao país de origem. O bacalhau à portuguesa é bom exemplo. É o lombo frito levado ao forno com batata-inglesa, cebola, alho, tomate e pimentão. Também tradicional é a versão com natas, cozido no leite, desfiado e gratinado com creme de leite. Ainda pode vir numa cataplana com camarões. Preferindo provar mais de um item, opte pelo menu-degustação: R$ 80 para duas pessoas e inclui entrada, prato de bacalhau, prato de carne e sobremesa.

Cabana Coisa D´Água

A Ilha do Rodeadouro fica no meio do rio São Francisco, dividindo Petrolina e Juazeiro. O monte de areia abriga bares embalados por pagode e hits brega e petiscada variada. Um lugar chama atenção. Voltado para a parte parnambucana da ilhota, a Cabana Coisa D´Água convida a um mergulho nas águas calmas e boa conversa. A especialidade é o maracari, um petisco montado dentro da casca do maracujá, que mistura o filé de cari com ervas e molho da fruta em consistência de creme. A piranha recheada com farofa e grelhada é outra atração do bar.

Bode do Isaías

Que pernambucano nunca ouviu falar do bodódromo? É uma rua no centro da cidade onde ficam restaurantes especializados em carne de bode e afins. O do Isaías é um dos mais famosos. Pudera. É amplo, com área externa e salão coberto, bem estruturado, e seu cardápio quase não tem fim. É uma verdadeira miscelânea. A carne de bode, cabrito, cordeiro e carneiro vêm em lingüiça, carne-de-sol, filé mingnon (muito macio), carpaccio, parmegiana, guisado, picanha, pizza. Tanta variedade dificulta a escolha, assim como os rasantes das moscas que insistem em compartilhar do nosso almoço...

Publicada na Folha de Pernambuco em 16 de Agosto de 2008

No rastro do vinho pernambucano
Mercado de vitivinicultura do Vale tem crescido e evoluído em qualidade

Regada pelo velho Chico, Petrolina tem atraído olhares curiosos, e investimentos dos grandes. Ocupa posto de destaque na produção e exportação de hortifruti, sendo um dos principais pólos desse ramo no País. É inegável. Esse pedaço de terra coroado pelo clima semi-árido pernambucano tem futuro. Um recorte mais específico revela mais. Descortina uma vocação, descoberta recentemente, para um negócio da China. É ali, no Vale do São Francisco - que inclui também a vizinha Bahia - onde se tem feito vinho de qualidade.

A região já conta com vinhos premiados. A dobradinha solo e clima é a única em território nacional que proporciona uma polêmica abundância de colheitas. Querendo, os vitivinicultores podem ter duas ao ano, enquanto que no Sul do Brasil, o calendário oficial comporta apenas uma. Tanta fertilidade tem seus aspectos positivos, mas por outro lado, pode ser um empecilho para a elaboração de vinhos mais encorpados, principalmente tintos.

Mas das vantagens que se tira desse terroir rico, a principal é, sem dúvida, a valorização dos vinhos jovens, frescos. Dos espumantes principalmente. A expressão do VSF ocorre plenamente nos vinhos agitados, que carregam muitas frutas tropicais: maracujá, goiaba, banana... Ótimos para o clima brasileiro. A Miolo e a Rio Sol fazem um trabalho de primeira nesse sentido. Ambas têm no portfólio espumantes muito bons. A segunda, inclusive, produz uma versão rosé brut muito bem aceita pelo público. Já a fazenda Ouro Verde, da Miolo, vende a linha Terranova com três versões, do brut ao suave. A empresa gaúcha tem outro diferencial: produz vinhos late harvest bastante agradáveis. Outro destaque é a nova linha da Bianchetti, conhecida pelos vinhos de mesa, que está botando no mercado vinhos orgânicos. Só pela idéia inovadora, vale experimentar os rórulos

Bom constatar que o mercado de vitivinicultura do Vale tem crescido e evoluído em qualidade. Coloca o Nordeste, em alguns rankings, em posição de igualdade com os produtos da região Sul. Desperta o interesse de instituições de pesquisa, como a Embrapa, que realiza estudos constantes com a finalidade de promover melhorias na cadeia produtiva das uvas viníferas e dar suporte às empresas instaladas. Os próprios viticultores andam bastante animados com a receptividade do terroir local e experimentam novas variedades, típicas do Velho Mundo, como Tinto Cão, Barbera e Touriga Nacional. É uma irrigação de idéias, tal qual a feita com as águas do rio São Francisco.

Ainda está por vir

Mesmo com os investimentos em tecnologia, mão-de-obra e pesquisas, de fato, o setor saiu do estágio embrionário, mas ainda precisa estar mais seguro para mostrar a cara. Precisa ser “embalado” para viagem, e atrair um outro tipo de negócio, o do turismo. Hoje, apenas uma das fazendas do circuito do VSF tem infra-estrutura para receber visitantes. A Garzieira oferece visita guiada com exibição de vídeo, visita ao parreiral e loja de fábrica.

Em fase de acabamento, a Ouro Verde (Miolo) está sendo reformada para ficar o mais parecida possível com a matriz em Bento Gonçalves. O projeto é dos bons e vai possibilitar visitas pela bela fazenda, pelo complexo de produção e envelhecimento dos vinhos, além de cursos de degustação e a compra dos vinhos em showroom caprichado. Prevista para setembro, a repaginação vai atingir também a capacidade de produção da vinícola, que será ampliada para cinco milhões de litros ao ano. Uma pena o público em geral não poder conferir de perto o trabalho das outras marcas.

Publicado no Jornal do Commercio em 07 de Agosto de 2008

Peixe fresco é obrigatório no menu
Assados inteiros ou servidos em filés altos e suculentos, surubins, dourados, piaus e curimatãs marcam gastronomia do Vale do São Francisco

Ir ao Vale do São Francisco e não provar dos peixes que o rio caudaloso oferece é como estar em Portugal e não comer uma das 365 receitas de bacalhau que, dizem, os patrícios têm para cada dia do ano. Ou como estar na França e não comer foie gras – delicioso, gorduroso, politicamente incorreto e mais acessível, já que ofertado em sua terra de origem.

Nos restaurantes de Petrolina e arredores, pelo menos quatro espécies de peixes são constantes nos cardápios. Com exceção do surubim, enviado para o Recife com a mesma freqüência dos vinhos e frutas, você provavelmente não terá outra oportunidade de provar carnes como a do piau. Com a vantagem lógica de estarem viçosos, fresquinhos, extraídos daquele grande mar de água doce que marca a paisagem. Experiências inesquecíveis de boca.

O surubim é apenas o mais óbvio e notório dos peixes do São Francisco. E também o maior. Pode alcançar 3,3 metros de comprimento e mais de 100 kg de peso. Os outros são menores: o dourado pode ter 1,4 m de comprimento e pesar cerca de 30 kg, o piau, 7,5 kg, o curimatã, 15 kg. Mas todos, à mesa, revelam o mesmo potencial, assados inteiros ou servidos em filés altos e suculentos, de gordura baixa, mas suficiente para untar internamente a carne.

Esqueça aquela coisa palhenta e seca que costumam chamar de surubim na brasa nos restaurantes do Recife. Os peixes nos restaurantes do Vale do São Francisco têm a suculência do frescor como marca. Um restaurante precisa se esforçar muito para estragar um ingrediente tão nobre.

O mais famoso deles, graduado com uma estrelinha do guia especializado Quatro Rodas, é o restaurante Maria do Peixe. Além de servido na moqueca (estamos na margem pernambucana do São Francisco e, apesar da proximidade com a Bahia, o uso do dendê é bem moderado), há opções ao molho de tomate, frito e grelhado ao alho e óleo. Não é baratinho, a qualidade é altíssima (o ao alho e óleo, guarnecido com feijão verde temperado é ótimo), mas a quantidade decepciona. A porção dupla (R$ 54) é um pouco maior do que o tamanho de um homem adulto, sobretudo quando se trata de um ingrediente de alta digestibilidade como o peixe.

Para comer (muito) bem e barato o destino pode (ou melhor, deve) ser o Balneário de Pedrinhas, a cerca de 20 quilômetros do centro de Petrolina. Estância de veraneio, o lugar é um ponto de banho no São Francisco forrado literalmente por seixos. As barracas andam bem esvaziadas depois da lei seca. Melhor para o turista que não precisa engolir as últimas do tecnobrega para poder degustar seu piau às margens do rio.

Quase todas as barracas têm como nome Peixada. Não se trata de oferecer o prato de peixe cozido com verduras que conhecemos aqui no litoral. Mas apenas uma referência de todos os estabelecimentos servirem apenas peixes. A melhor, na opinião deste escriba, é a Peixada do Gildenor. Um enorme piau suficiente para quatro ou mais pessoas, grelhado e temperado tão somente com sal, custa cerca de R$ 50. Branca, tenra, a carne do peixe é inesquecível. Vai dar muita vontade de trazer um peixe desses como justificativa para um almoço com os amigos em casa. Para isso, providencie um isopor grande e vá adquirir o peixe no Peixódromo, o mercado aberto do centro. Outra grande pedida local é o cari, peixe conhecido como a lagosta do São Francisco. Servido normalmente em moqueca, sua carne ligeiramente adocicada e pouco fibrosa (sutilmente borrachuda) não apresenta espinhas.

Nem só de peixes do São Francisco vive a mesa local. Recém-aberto, o Maria Bonita serve apenas bacalhau importado do Porto. É feito por quem entende do riscado (seu dono é um português, sócio da ViniBrasil, a vinícola responsável pelo Rio Sol): em lascas (R$ 35, para duas pessoas) ou em postas altas (R$ 60, para dois ou até três comensais). O bacalhau ao Lagareiro, assado ao forno com alhos, muito azeite e batatas ao murro, transporta o comensal imediatamente para a outra margem do Atlântico. A casa serve exclusivamente os vinhos da ViniBrasil (um RioSol brut Rosé, por exemplo, a pouco mais de R$ 30). E tem também uma ótima senha de custo-benefício: por R$ 40, o cliente pode ter a entrada (o bolinho de bacalhau é seco e crocante), o prato e a sobremesa, com um vinho diferente a cada etapa.

Outro endereço bem ancorado nos pescados é o Capivara, na orla principal. Bem tenro o surubim grelhado (R$ 50, para dois), com molho de alcaparra à parte. A casa também tem uma oferta de razoáveis massas caseiras, como um fetucine que guarnece um filé (bom) ao funghi, molho correto, baseado num bom démi-glace, sem adição desonesta de amido em excesso.

Inevitável também será ir à Ilha do Rodeadouro, o balneário mais popular de Petrolina, acessível por uma pequena travessia de balsa. De um lado da ilha, o rio é pernambucano. Do outro, baiano. A linha imaginária, não se sabe por que, separa também o público.

Às margens baianas, o povão se joga no axé, brega e que tais diante da água fria e límpida. As areias fervem. Do lado pernambucano, a classe média molha suas sungas e biquínis de grife ao som de uma MPB mais comedida. A concentração é na Cabana Coisa d’Água, ao lado do Píer, responsável por um ótimo caldinho de surubim e uma idéia boa: a pasta de cari servida na casca e com molho de maracujá. O lugar só erra – e feio – nos peixes fritos: o excesso de condimentos e realçantes de sabor destrói a natureza dos peixes.

Na fronteira, no meio da divisão imaginária entre Pernambuco e Bahia, está a melhor atração comestível da Ilha do Rodeadouro. A barraca do acarajé da Ceça serve os bolinhos em versão míni, dez unidades, sequinhos e bem guarnecidos com camarão seco, caruru, vatapá e vinagrete. Na dúvida entre PE e BA, fique na fronteira.