Literatura de cordel, ou a brilhante história dos homens que escrevem na madeira

Foto de J. Borges

Num país com tantos artistas populares, é difícil ser uma unanimidade. José Francisco Borges, ou J.Borges, como ficou conhecido é uma destas raras exceções.

O artista de Bezerros, na verdade, virou sinônimo de xilogravura. Hoje ele mantém um memorial, onde estão expostas centenas de seus folhetos de cordel. O local é parada obrigatória para os turistas que percorrem a rota Luiz Gonzaga. Simpático e sempre receptivo, J.Borges faz questão de conversar com todos que visitam a casa, explicando o significado das peças e o método de trabalho que utiliza.

A sua obra inconfundível fez escola, formando uma geração de seguidores e admiradores. “O povo nordestino é que é criativo, eu só passo esta marca para o meu trabalho”, garante. As obras do artista estão espalhadas pelos quatros cantos do mundo. J.Borges recebe constantemente encomendas para ilustrar capas de CDs, livros e publicações especiais, além de coordenar oficinas e palestras no Brasil e no exterior.

Foto de Mestre Dila

Dila - Mestres ciganos, homens sem medo, coronéis com mais de 300 filhos, cangaceiros, covardes e lobisomens habitam o mundo do mestre Dila. Dono de um estilo que mistura verso e prosa, ele faz os poemas sempre sem seis estrofes. A métrica requintada, rimando a primeira com a terceira e sexta linhas, impressiona escritores e estudiosos. A memória privilegiada e a criatividade do mestre, fundem acontecimentos históricos com a mística agrestina.

“Se o cabra não escreve, ele não é dono de nada, nem do pensamento”, afirma o artista, com uma simplicidade irresistível.

Segundo o próprio Dila, ele vem de uma família de ciganos que rodou o mundo antes de chegar ao Agreste. Aos 71 anos, ele ainda entalha à mão os personagens dos folhetos cordel, impressos numa máquina artesanal. “Prefiro assim, deste jeito cada livro é único. A ciência deve ser de cada pessoa”, diz.

Contatos

J.Borges
55 (81) 3728-0364 / 3728-6713

Dila:
55 (81) 3725-5525